segunda-feira, 29 de agosto de 2011
A minha mãe VII
- Tu tens 60 anos, tenho que filtrar o que tu dizes.
Silêncio magoado.
- Vamos ali ao IKEA para me comprares umas coisas para a casa?
- Sim, mas eu também vou filtrar algumas coisas que me vais pedir.
Risos.
Silêncio magoado.
- Vamos ali ao IKEA para me comprares umas coisas para a casa?
- Sim, mas eu também vou filtrar algumas coisas que me vais pedir.
Risos.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
A necessidade de sonhar
A necessidade visceral de sonhar é-me inata. Não se vive sem um bom sonho que me alimente e que me mantenha a mente quase 100% ocupada, que me excite, que exercite os meus temas de conversa, que me faça saltar da cama, que me faça arranjar de manhã mais bonita, que me acenda uma chamazinha no coraçação, e que ocupe o pensamento nas salas de espera dos consultório, na fila so supermercado, nas mesas dos restaurantes enquanto espero pelo prato que pedi, enquanto espero no café pelo amigo com quem marquei o encontro, enquando espero pelo cliente com quem marquei uma reunião, enquanto espero que o Outlook sincronize com o Blackberry, enquanto no duche penso o que vou fazer naquele dia e só quero concluir que o meu dia tem o objectivo máximo de me aproximar daquele sonho lindo que mora no meu coração, que me faz suspirar, que me tira a fome, me põem lágrimas nos olhos, me põem mal disposta de ainda não ter acontecido, me dá ansiedade, me angustia, me faz fazer kilometros, me faz corar, o que me acorda a meio da noite, e que me dá nós no estomago. Quem não tem uma coisa destas, não tem vida.
domingo, 21 de agosto de 2011
O autor é anónimo, mas está inteligível e com alguma graça...
"
tu és um bom escritor, moço. és melhor k o mec pk tens a mesma leveza e mais profundidade e não és conservador nem auto-complacente. mas esse escreve crónicas e tu queres escrever tb romances e para isso é preciso ter amor pra dar ou ser um grande filho da puta. como não cabes em nenhum dos lados, o teu romance vai ter uns altos e baixos, o que é bom, na literatura do futuro as imperfeições vão ser expostas (e não, como hoje, disfarçadas). consegues viver nessa terra de gente sonsa, mulheres masculinas, com a tua cerveja e cigarros, pois, e admiras-te (essa é ingénua) com a abertura aparente dos teus interlocutores paulistas (não te iludas, o br. é elitista, fechado, medieval; viaja mais, estoura o dinheirinho; curte as clavículas das raparigas). não ponhas os pés no meio literário (é um nojo), usa pseudónimo nos livros. lê o foucault todo. parabéns por manteres a motivação em altos níveis (ainda que isso corresponda ao mais estrito cumprimento de uma necessidade). um abraço cheio de empatia
"
tu és um bom escritor, moço. és melhor k o mec pk tens a mesma leveza e mais profundidade e não és conservador nem auto-complacente. mas esse escreve crónicas e tu queres escrever tb romances e para isso é preciso ter amor pra dar ou ser um grande filho da puta. como não cabes em nenhum dos lados, o teu romance vai ter uns altos e baixos, o que é bom, na literatura do futuro as imperfeições vão ser expostas (e não, como hoje, disfarçadas). consegues viver nessa terra de gente sonsa, mulheres masculinas, com a tua cerveja e cigarros, pois, e admiras-te (essa é ingénua) com a abertura aparente dos teus interlocutores paulistas (não te iludas, o br. é elitista, fechado, medieval; viaja mais, estoura o dinheirinho; curte as clavículas das raparigas). não ponhas os pés no meio literário (é um nojo), usa pseudónimo nos livros. lê o foucault todo. parabéns por manteres a motivação em altos níveis (ainda que isso corresponda ao mais estrito cumprimento de uma necessidade). um abraço cheio de empatia
"
A contabilidade de Verão
45 dias de praia
61 mergulhos no mar de praia
10 mergulhos no mar embarcados
30 banhos de piscina
63 horas deitada em espreguiçadeira
94 horas deitada na areia
4 livros lidos
24575 músicas ouvidas
35 vezes atravesei uma ponte
167898 grãos de areia dentro do bikini
7 bikinis e 3 fatos de banho
1 frasco de protector factor 30
1 par de óculos de sol
60% mais de sardas no focinho
1 carro cheio de areia e terra
1245 km percorridos
0 furos de pneus
8 conchas apanhadas e guardadas
1 toalha de praia azul turqueza com 10 anos, ainda boa
1 par de "havaianas" azuis
0 Amores de Verão
15 noites de copos e dança ao luar
20 jantaradas com amig@s em esplanadas
3 chuvas de Verão
10 vezes tive morangos como sobremesa
9 camas diferentes em que dormi
2 maleitas
13 vezes vontade de chorar
13 vezes vontade de dar gargalhadas
90 vezes senti o vento quente na cara e sorri quando abri a janela do carro de manhã
61 mergulhos no mar de praia
10 mergulhos no mar embarcados
30 banhos de piscina
63 horas deitada em espreguiçadeira
94 horas deitada na areia
4 livros lidos
24575 músicas ouvidas
35 vezes atravesei uma ponte
167898 grãos de areia dentro do bikini
7 bikinis e 3 fatos de banho
1 frasco de protector factor 30
1 par de óculos de sol
60% mais de sardas no focinho
1 carro cheio de areia e terra
1245 km percorridos
0 furos de pneus
8 conchas apanhadas e guardadas
1 toalha de praia azul turqueza com 10 anos, ainda boa
1 par de "havaianas" azuis
0 Amores de Verão
15 noites de copos e dança ao luar
20 jantaradas com amig@s em esplanadas
3 chuvas de Verão
10 vezes tive morangos como sobremesa
9 camas diferentes em que dormi
2 maleitas
13 vezes vontade de chorar
13 vezes vontade de dar gargalhadas
90 vezes senti o vento quente na cara e sorri quando abri a janela do carro de manhã
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Época - Gotan Project
Si desapareció
en mi aparecerá
creyeron que murió
pero renacerá
Llovió, paró, llovió
y un chico adivinó
oímos una voz, y desde un tango
rumor de pañuelo blanco
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veinticinco años
y vos existías,
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veinticinco años
y vos existías, sin existir todavía
Si desapareció
en mi aparecerá
creyeron que murió y aquí se nace,
aquí la vida renace
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veintinco años
y vos existías
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veinticinco años
y vos existías, sin existir todavía
en mi aparecerá
creyeron que murió
pero renacerá
Llovió, paró, llovió
y un chico adivinó
oímos una voz, y desde un tango
rumor de pañuelo blanco
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veinticinco años
y vos existías,
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veinticinco años
y vos existías, sin existir todavía
Si desapareció
en mi aparecerá
creyeron que murió y aquí se nace,
aquí la vida renace
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veintinco años
y vos existías
No eran buenas esas épocas
malos eran esos aires
fue hace veinticinco años
y vos existías, sin existir todavía
sábado, 6 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
A minha perspectiva dos “20 minutos” - take 2
Olhei para o relógio, não me interessava ficar.
Fiquei, ouvi, observei.
Encantei-me irremediavelmente.
Esqueci o tempo.
Depois esqueci-te no tempo.
Agora quero esquecer-te a tempo.
Fiquei, ouvi, observei.
Encantei-me irremediavelmente.
Esqueci o tempo.
Depois esqueci-te no tempo.
Agora quero esquecer-te a tempo.
Excitação
A dor cresce.
O sentimento doi.
A paciência relativiza.
O tempo compreende.
A experiência adoça.
O sorriso ilumina.
O amor nobilita.
O desejo direcciona.
A espera muda.
A angustia procura.
A esperança galvaniza.
A meditação revela.
A desilusão magoa.
O futuro surpreende.
O tempo revela.
A persistência engrandece.
A doença ensina.
A solidão empobrece.
A força enbrutece.
A luta muscula.
A liberdade espalha-se.
A porta escancara-se.
A escolha permanece.
O pensamento eleva.
A imaginação cria.
O sonho guia.
A arte glorifica.
E a mente excita-nos, todos os dias.
O sentimento doi.
A paciência relativiza.
O tempo compreende.
A experiência adoça.
O sorriso ilumina.
O amor nobilita.
O desejo direcciona.
A espera muda.
A angustia procura.
A esperança galvaniza.
A meditação revela.
A desilusão magoa.
O futuro surpreende.
O tempo revela.
A persistência engrandece.
A doença ensina.
A solidão empobrece.
A força enbrutece.
A luta muscula.
A liberdade espalha-se.
A porta escancara-se.
A escolha permanece.
O pensamento eleva.
A imaginação cria.
O sonho guia.
A arte glorifica.
E a mente excita-nos, todos os dias.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
'Reflexões Pessoais'
"
Notas para uma Regra de Vida
1. Cada um de nós não tem de seu nem de real senão a sua própria individualidade.
2. Aumentar é aumentar-se.
3. Invadir a individualidade alheia é, além de contrário ao princípio fundamental, contrário (por isso mesmo também) a nós mesmos, pois invadir é sair de si, e ficamos sempre onde ganhamos (Por isso o criminoso é um débil, e o chefe um escravo.) (O verdadeiro forte é um despertador, nos outros, de energias deles. O verdadeiro mestre é um mestre de o não acompanharem.)
4. Atrair os outros a si é, ainda assim, o sinal da individualidade.
"
Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais'
Notas para uma Regra de Vida
1. Cada um de nós não tem de seu nem de real senão a sua própria individualidade.
2. Aumentar é aumentar-se.
3. Invadir a individualidade alheia é, além de contrário ao princípio fundamental, contrário (por isso mesmo também) a nós mesmos, pois invadir é sair de si, e ficamos sempre onde ganhamos (Por isso o criminoso é um débil, e o chefe um escravo.) (O verdadeiro forte é um despertador, nos outros, de energias deles. O verdadeiro mestre é um mestre de o não acompanharem.)
4. Atrair os outros a si é, ainda assim, o sinal da individualidade.
"
Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais'
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Insónia
Não aceito acordos de paz. Só o puro desassossego, guerra, luz, energia atómica, lanças, tácticas, mantras, armas, olhos de mira, missões em terreno, cartas, adrenalina, saques, viagens nocturnas, possuir, liberdade, pesadelos, morfina, cafeina, paixão e noites em claro. Só volto a dormir depois de ser tudo meu em papel escrito.
sábado, 30 de julho de 2011
A minha perspectiva dos "20 minutos" - take 1
A memória leva e lava, ficando apenas acontecimentos com significância entranhada. Os nossos cérebros sabem bem distinguir o que deve ser lembrado, mesmo que nós não, tenho, hoje, na ponta dos dedos o dia em que nos encontrámos os 2 pela primeira vez.
Não sei porquê escolhemos aquele sítio. Nunca gostei daquele barulho de fundo.
Eu estava fora de órbita, tinha outras coisas na cabeça, nem sei o quê, e tinha resolvido ir ali, ter contigo porque sim.
Enquanto nos estávamos a sentar, olhei de soslaio para o meu relógio para tentar mentalmente contar 20 minutos. Eram os 20 minutos que iam durar aquele encontro, tinha eu definido, com arrogância, assim que olhei para ti com os olhos de teenager e achei que 20 minutos naquele encontro iam ser mais que suficientes. Não te disse nada, mas havia de inventar qualquer coisa, em cima da hora, como era típico.
Voltei então cordialmente a olhar-te nos olhos, para seguir a conversa que tinhas esforçada e levemente começado para me entreteres.
É a tua cara ali à minha frente que a minha memória reteve. Estávamos numa mesa lateral que nos separava do piso de baixo.
Os 20 minutos seguintes foram uma espécie de hipnotismo. Não faço ideia do que disseste, esqueci-me da minha contagem mental do tempo.
Perdi-me na tua voz, depois no teu conteúdo, no teu sorriso rasgado, nas tuas exclamações agudas, nas tuas historietas, naquela envolvência sedutora. Perdi os olhos também pelo colarinho da tua camisa, que suspeito que seria de xadrez verde roçado, iguais às que ainda usas, nos teus braços e mãos, no teu cabelo onde me apetecia pregar as minhas mãos, depois nos teus lábios. Tentei abstrair-me e parar a máquina que fazia rodar o filme que estava a ver, pois tudo me pareceu bom demais para ser meu. Lá estava a insegurança de teenager que hoje em dia, já perdi.
Deixei de ouvir o barulho de fundo a certa altura. Não consigo ter ideia de quanto tempo ficámos a ali, mas foi muito, muito mais de 20 minutos. Não me lembro de falar muito.
Quando voltei aos meus sentidos, continuava a ouvir a tua voz, retive umas 2 ou 3 palavras da conversa, e vi uns olhos meigos tão rasgados como o sorriso que me olhavam, e que não soube interpretar.
Aqueles lábios foram meus mais tarde, numa noite. Mas isso é o resto da história.
Um dia que alguém ponha em palavras o resto desta história, que saiba que não foi nem neste dia, nem no outro do “kiss”, que me apaixonei por ti, e que não deixe de fora o “pormenor” de que tu pensas demasiado, o que te torna irremediavelmente especial.
Não sei porquê escolhemos aquele sítio. Nunca gostei daquele barulho de fundo.
Eu estava fora de órbita, tinha outras coisas na cabeça, nem sei o quê, e tinha resolvido ir ali, ter contigo porque sim.
Enquanto nos estávamos a sentar, olhei de soslaio para o meu relógio para tentar mentalmente contar 20 minutos. Eram os 20 minutos que iam durar aquele encontro, tinha eu definido, com arrogância, assim que olhei para ti com os olhos de teenager e achei que 20 minutos naquele encontro iam ser mais que suficientes. Não te disse nada, mas havia de inventar qualquer coisa, em cima da hora, como era típico.
Voltei então cordialmente a olhar-te nos olhos, para seguir a conversa que tinhas esforçada e levemente começado para me entreteres.
É a tua cara ali à minha frente que a minha memória reteve. Estávamos numa mesa lateral que nos separava do piso de baixo.
Os 20 minutos seguintes foram uma espécie de hipnotismo. Não faço ideia do que disseste, esqueci-me da minha contagem mental do tempo.
Perdi-me na tua voz, depois no teu conteúdo, no teu sorriso rasgado, nas tuas exclamações agudas, nas tuas historietas, naquela envolvência sedutora. Perdi os olhos também pelo colarinho da tua camisa, que suspeito que seria de xadrez verde roçado, iguais às que ainda usas, nos teus braços e mãos, no teu cabelo onde me apetecia pregar as minhas mãos, depois nos teus lábios. Tentei abstrair-me e parar a máquina que fazia rodar o filme que estava a ver, pois tudo me pareceu bom demais para ser meu. Lá estava a insegurança de teenager que hoje em dia, já perdi.
Deixei de ouvir o barulho de fundo a certa altura. Não consigo ter ideia de quanto tempo ficámos a ali, mas foi muito, muito mais de 20 minutos. Não me lembro de falar muito.
Quando voltei aos meus sentidos, continuava a ouvir a tua voz, retive umas 2 ou 3 palavras da conversa, e vi uns olhos meigos tão rasgados como o sorriso que me olhavam, e que não soube interpretar.
Aqueles lábios foram meus mais tarde, numa noite. Mas isso é o resto da história.
Um dia que alguém ponha em palavras o resto desta história, que saiba que não foi nem neste dia, nem no outro do “kiss”, que me apaixonei por ti, e que não deixe de fora o “pormenor” de que tu pensas demasiado, o que te torna irremediavelmente especial.
A minha mãe VI
Sempre gostei muito de escrever, tinha um diário, ainda escrito à mão, claro está, desde os 10 anos de idade, em que descrevia com todo o pormenor e sentimento todos os desgostos e alegrias dos meus dias.
Eram cadernos e cadernos intermináveis, com cores, sem cores, com folhas de cheiro e sem cheiro, eu não era esquisita no material, só nunca gostei de folhas quadriculadas, escritos atalhoadamente. Mas havia algo que me convencia que o que o que escrevia era de enorme interesse, pois a minha mãe lia aquele espólio todo, cheio de erros ortográficos, de fio a pavio sempre que me apanhava de costas.
A minha mãe devia ler quando eu ia para a escola, nas minhas costas, com certeza para que eu não fosse um génio literário pretencioso, quando desse pelo vício dela.
E eu, que às vezes a apanhava ou notava as minhas amadas folhas remexidas, pensava mesmo assim que era um génio literário, porque mesmo com erros ortográficos e uma caligrafia surreal, tinha fãs incondicionais.
E lá ficou o trauma da infância, confesso que continuo a achar-me um génio literário (em desenvolvimento, claro, aprendi a ser mais contida), com menos erros ortográficos, ou pelo menos, tento, ainda assim, com uma meia dúzia de leitores ainda assim muito assíduos, se bem que menos fanáticos. Isto porque a minha mãe ainda não descobriu que tenho um blog, as "Estatísticas" vão bombar quando isso acontecer.
Acham que lhe conte?
Eram cadernos e cadernos intermináveis, com cores, sem cores, com folhas de cheiro e sem cheiro, eu não era esquisita no material, só nunca gostei de folhas quadriculadas, escritos atalhoadamente. Mas havia algo que me convencia que o que o que escrevia era de enorme interesse, pois a minha mãe lia aquele espólio todo, cheio de erros ortográficos, de fio a pavio sempre que me apanhava de costas.
A minha mãe devia ler quando eu ia para a escola, nas minhas costas, com certeza para que eu não fosse um génio literário pretencioso, quando desse pelo vício dela.
E eu, que às vezes a apanhava ou notava as minhas amadas folhas remexidas, pensava mesmo assim que era um génio literário, porque mesmo com erros ortográficos e uma caligrafia surreal, tinha fãs incondicionais.
E lá ficou o trauma da infância, confesso que continuo a achar-me um génio literário (em desenvolvimento, claro, aprendi a ser mais contida), com menos erros ortográficos, ou pelo menos, tento, ainda assim, com uma meia dúzia de leitores ainda assim muito assíduos, se bem que menos fanáticos. Isto porque a minha mãe ainda não descobriu que tenho um blog, as "Estatísticas" vão bombar quando isso acontecer.
Acham que lhe conte?
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Apenas uma noite
Só uma noite, apenas uma noite. Só uma noite.
Pode haver luz, pode ser no escuro, vamos ver com tudo.
Tu sempre soubeste, sábio.
Deus queira que nunca amanheça.
Pode haver luz, pode ser no escuro, vamos ver com tudo.
Tu sempre soubeste, sábio.
Deus queira que nunca amanheça.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Finalmente, "A" definição
"
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mais tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?
"
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mais tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?
"
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
O Dom literário
"Escrever é uma maneira de pensar que não se consegue pelo pensamento apenas. Todos os constrangimentos sintácticos e gramaticais da escrita, em vez de nos reprimirem, levam-nos a encontrar frases que não existiam antes de serem escritas, que não podiam existir de outra forma."
Fonte: - Revista Nós - Jornal i (2009)
Fonte: - Revista Nós - Jornal i (2009)
terça-feira, 26 de julho de 2011
"Gostas de fazer do teu corpo um objecto agradável"
"
É Impossível Fazer Amor sem um Certo Abandono
Mas é exactamente isso que é supreendente em ti: tu gostas de dar prazer. Gostas de fazer do teu corpo um objecto agradável, gostas de dar prazer com o teu próprio corpo: é precisamente isso o que os ocidentais já não conseguem fazer. Perderam completamente o sentimento da dádiva. Mesmo esforçando-se, não conseguem assumir o sexo como uma coisa natural. Além de terem vergonha do seu corpo, muito diferente do corpo das estrelas pornográficas, também não sentem uma verdadeira atracção pelo corpo dos outros. Ora, é impossível fazer amor sem um certo abandono, sem a aceitação, pelo menos temporária, de um certo estado de fraqueza e de dependência. Tanto a exaltação sentimental como a obsessão sexual têm a mesma origem, resultam ambas do esquecimento parcial do eu; é algo que não pode acontecer sem que a pessoa perca alguma coisa de si mesma. E nós tornámo-nos frios, racionais, extremamente conscientes dos nossos direitos e da nossa existência individual; primeiro que tudo, queremos evitar a alienação e a dependência; além disso, vivemos obcecados com a saúde e com a higiene: e não são essas as condições ideais para fazer amor.
"
Michel Houellebecq, in 'Plataforma'
É Impossível Fazer Amor sem um Certo Abandono
Mas é exactamente isso que é supreendente em ti: tu gostas de dar prazer. Gostas de fazer do teu corpo um objecto agradável, gostas de dar prazer com o teu próprio corpo: é precisamente isso o que os ocidentais já não conseguem fazer. Perderam completamente o sentimento da dádiva. Mesmo esforçando-se, não conseguem assumir o sexo como uma coisa natural. Além de terem vergonha do seu corpo, muito diferente do corpo das estrelas pornográficas, também não sentem uma verdadeira atracção pelo corpo dos outros. Ora, é impossível fazer amor sem um certo abandono, sem a aceitação, pelo menos temporária, de um certo estado de fraqueza e de dependência. Tanto a exaltação sentimental como a obsessão sexual têm a mesma origem, resultam ambas do esquecimento parcial do eu; é algo que não pode acontecer sem que a pessoa perca alguma coisa de si mesma. E nós tornámo-nos frios, racionais, extremamente conscientes dos nossos direitos e da nossa existência individual; primeiro que tudo, queremos evitar a alienação e a dependência; além disso, vivemos obcecados com a saúde e com a higiene: e não são essas as condições ideais para fazer amor.
"
Michel Houellebecq, in 'Plataforma'
A vizinha de baixo II
Muita gente a conhece, e muitos podem conhece-la bem, porque ela é melhor quando está a interagir.
Não se encanta com facilidade, mas sabe tirar o melhor partido de cada coisa.
Tenaz na racionalidade quando é necessário ou vital, contrastando com a sua grande capacidade de sonhar sonhos inositados e ingénuos.
Aprendeu que ser é melhor do que ter, e que parecer pode ser o ser, às vezes.
Não se encanta com facilidade, mas sabe tirar o melhor partido de cada coisa.
Tenaz na racionalidade quando é necessário ou vital, contrastando com a sua grande capacidade de sonhar sonhos inositados e ingénuos.
Aprendeu que ser é melhor do que ter, e que parecer pode ser o ser, às vezes.
domingo, 24 de julho de 2011
Do verdadeiro
É de repente, não precisa de ser à 1ª vista, mas é de repente, em que tudo te faz sentido.
De repente já podes mudar tudo o que nunca queria mudar, já queres abdicar da liberdade, já toleras tudo, já choras compulsivamente, tens um viveiro de borboletas na barriga, entras numa espiral semi-obcessiva de sonhos, pensamentos e desejos, o corpo está pronto para aventuras, gastas todas as tuas poupanças, mudas de casa, mudas quem eras, e até quem ias ser, ficas mais bonito/a, todas as babuseiras sobre o futuro se reformulam, até podes ajustar a maneira de vestir, e o sítio onde vais às compras da semana, os teus fins de semana ficam enjorcados de novas motivações, o olhar ilumina o dia, o sorriso é um vento de te percorre a alma sem sobrar um cm2 que esteja fora do tornado, e sim, és feliz. De preferência para sempre. E se não for assim, esquece, não quero.
Mais tarde descobres que leêm os mesmos livros, escrevem palavras da mesma família semântica, e até que querem morrer no mesmo sítio.
Assim é mesmo do verdadeiro. É assim que eu o imagino.
De repente já podes mudar tudo o que nunca queria mudar, já queres abdicar da liberdade, já toleras tudo, já choras compulsivamente, tens um viveiro de borboletas na barriga, entras numa espiral semi-obcessiva de sonhos, pensamentos e desejos, o corpo está pronto para aventuras, gastas todas as tuas poupanças, mudas de casa, mudas quem eras, e até quem ias ser, ficas mais bonito/a, todas as babuseiras sobre o futuro se reformulam, até podes ajustar a maneira de vestir, e o sítio onde vais às compras da semana, os teus fins de semana ficam enjorcados de novas motivações, o olhar ilumina o dia, o sorriso é um vento de te percorre a alma sem sobrar um cm2 que esteja fora do tornado, e sim, és feliz. De preferência para sempre. E se não for assim, esquece, não quero.
Mais tarde descobres que leêm os mesmos livros, escrevem palavras da mesma família semântica, e até que querem morrer no mesmo sítio.
Assim é mesmo do verdadeiro. É assim que eu o imagino.
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